sábado, 8 de abril de 2017

nada

Gosto muito de uma frase que diz: "às vezes pode ser libertador não se sentir parte de nada". Ela se adequa tanto a certas circunstâncias da minha vida que chega a ser assustador.

O que me vem a mente é que nos sentimos tão dependentes de pessoas, de grupos, de objetos, que esquecemos de nós mesmos. Esquecemos de quem somos e no primeiro minuto que percebemos que só temos ao nosso próprio reflexo, tudo desaba. E logo estamos no chão frio do quarto revivendo memórias que no passado permanecerão.

Pode parecer meio depressivo, mas a solidão gera um certo sentimento controverso de alegria, o  resgate de lembranças boas pode nos fazer sorrir por uns segundos até nos perdermos de novo. E nos encontrarmos no chão. Dentro de nós mesmos.

E eu estou aqui agora. Dentro de mim. Em mais uma crise de ânsia por um abraço, por um simples "olá, como vai?", por uma dose de amizade, de amor e afeto. Por uma vontade de não recusar convites, de ir atrás de alguém, de sei lá mais o que, porra.

Agora viria a parte boa. Eu afirmaria a frase do início, diria que não fazer parte de nada pode te ajudar a se abraçar, a reconhecer que mesmo sem uma companhia num dia qualquer da semana você tem a si. Eu queria poder dizer isso. Mas me sinto só e não sei como melhorar, eu não sei como ser suficiente para mim mesmo.

- anônimo

sábado, 9 de abril de 2016

Não me abandone jamais

Querida Kathy,

Eu sempre quis confiar um pouco em forças maiores. Não estou falando nesse momento, entretanto, em questões religiosas, mas acho que em algo mais voltado para a sorte. Ou destino. Não sei. Talvez uma força magnética invisível e mágica. Isso soa bem bobo, mas eu sempre achei, no fundo, que independente dos rumos que as coisas tomassem, essa "força" sempre me levaria pro lugar certo no final - e levaria o lugar certo para mim. Eu sempre achei que independente de minhas atitudes, das atitudes das pessoas ao meu redor e das coisas que acontecessem - independente das mudanças, intencionais ou não - nós sempre acharíamos o caminho de volta e tudo daria certo. Mas para onde?
Essa é minha grande pergunta. Eu sempre pensei que não precisava me preocupar com muitas coisas, porque as pessoas não iriam embora, e, quer dizer, eu mesma nunca vou a lugar algum. Mas e se, ao contrário da força que eu imaginava existir, um outro campo maior estiver nos puxando em direções contrárias? Um campo tão forte controlado, invisivelmente por...nossas próprias mãos, e talvez nossa mente? Eu não sei dizer...
Eu gostaria de verdade de deixar tudo nas mãos do destino - mesmo dizendo que uma parte de mim não acredita nisso. Tudo. Mas eu tenho medo desses campos, e um medo ainda maior de eles não existirem, porque isso significaria que todas as decisões são apenas minhas (nossas), e isso nos torna piores ainda. Porque, numa perspectiva maior, só o que importa é quanto amor você espalhou - como você foi (é, vai ser) pras pessoas ao seu redor, e como elas serão pra você.
Numa perspectiva maior, pequenas coisas não importam, e nós deveríamos pensar muito, muito, em tudo, e além. Mas quem quer fazer isso? Quem quer ver além de seu próprio reflexo?
Numa perspectiva maior, nossa existência egoísta - e, lembrando, insignificante para o universo - só faz sentido se significar algo para outras existências egoístas e insignificantes. No final do dia, tudo o que importa é quanto amor você espalhou. Atingir e se permitir ser atingido - no bom sentido da palavra. Tudo o que importa é aquela pergunta no final da entrevista. "O que você fez pra minorar a dor de seu semelhante?"
Mas eu tenho medo de olhar pra ela. Eu realmente tenho medo.
Amor,
T.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A banalização de termos e o conflito do politicamente correto

Alguns meses atrás, ao assistir um documentário chamado "O riso dos outros" - lançado em dezembro de 2012 - que questionava os limites do humor, deparei-me com opiniões (minhas e de pessoas conhecidas) conflitantes em relação ao politicamente correto; o que me fez questionar não somente minhas próprias atitudes em si, mas também o significado delas.
Lembro-me vagamente de o vídeo mostrar alguns questionamentos em relação à piadas sobre mulheres, negros, pessoas com necessidades especiais, homossexuais e pessoas que não se encaixavam no peso "ideal" estabelecido por determinados padrões de beleza; evidenciando o fato de que, às vezes, uma aparentemente simples piada carrega ideologias que precisam ser discutidas e até mesmo questionadas.
O assunto foi levado para a sala de aula, e num determinado momento, um de meus professores questionou o uso da expressão "gordice", bem como "denegrir" e "judiar", o que levou a outros termos como "puta" e "bicha", por exemplo.
Acredito que neste momento - e peço perdão se estiver errada - você possa estar pensando algo como: "Mas e daí? É só uma piada. As pessoas levam as coisas a sério demais hoje em dia...". Digo isso porque vi/ouvi alguns comentários parecidos em relação ao assunto, e no momento é óbvio para mim que nunca se trata apenas de uma 'piada'.
É fato que todos já nos sentimos ofendidos com algo em algum momento de nossas vidas. E essa é a grande coisa sobre os limites do humor: sempre é algo sem importância, até que já não tem mais graça pra você - até você se tornar a piada.
Um dos termos que me incomoda bastante - e não só por eu estar me interessando bastante por algumas pautas feministas, mas por ter, atualmente, pensado bastante sobre o significado da expressão, é "feminazi". Me lembro de, após tê-lo ouvido pela primeira vez, ter ficado confusa em relação ao seu significado e ir pesquisar sobre na internet. Confesso que fiquei bastante surpresa, pois o termo, além de obviamente ter sido criado com a intenção de ridicularizar ou até mesmo deslegitimar o movimento feminista, mostra uma completa falta de leitura de quem o criou - ou dos adeptos a seu uso - em relação ao feminismo em si, e pior ainda, um total desconhecido em relação à História.
Além de a comparação com o nazismo - ideologia criada por Hitler e seguida pelo governo alemão - ser completamente sem fundamento, já que os nazistas pregavam a superioridade dos alemães (raça 'ariana') em relação a outras, prometendo restaurar o "orgulho de ser alemão", estes seguiram tal ideologia, um exemplo cruel do racismo, levando milhares de pessoas - entre elas judeus, homossexuais, negros e ciganos - à morte; o que não remete à semelhança NENHUMA com o movimento feminista, que prega a IGUALDADE entre os gêneros. Repito: nenhuma. O feminismo não mata, não exclui e não oprime, o que é bastante irônico se formos pensar no significado do termo "feminazi" e no que ele reflete.
Este termo foi criado com o único e óbvio motivo de deslegitimar tal movimento, ridicularizando mulheres que buscam o que deveria ser um direito: a igualdade; o que leva-nos novamente ao fato de determinadas expressões carregarem ideologias que precisam ser desconstruídas. Um bom exemplo é a palavra "puta", bem como seus derivados ou expressões que carregam um significado parecido (como 'piriguete' e 'vadia'), que nada mais são do que um reflexo do machismo na sociedade, que classifica as mulher entre "para comer" e "para casar", evidenciando o fato de a sexualidade da mulher ainda ser vista como algo ruim, sujo.
É não é só isso. O exemplo "gordice", já citado anteriormente, evidencia o fato de pessoas que não se encaixam no padrão de "peso ideal" serem ridicularizadas, e o termo "denegrir", bem como "negrice", por exemplo, mostra o preconceito - ainda existente - em nossa sociedade, que oprime e silencia o negro.
Creio que existem outros exemplos - que não me lembro no momento, mas que merecem ser questionados e discutidos, afinal, todo discurso carrega uma ideologia "por trás", e vale a pena pensar no fato de que, como evidencia o documentário O riso dos outros, a sua liberdade se encerra onde começam os direitos do outro, o que nos remete ao fato de que a exploração e opressão das minorias não é, e nunca deveria ser, motivo de piada.


Escrito por: Thamires Rodrigues

À procura do que encontrei em você

Olá você, é, você mesma.. A  estrela do meu passado.

Resolvi te escrever uma carta sem o intuito de enviá-la a você diretamente (e espero que não receba indiretamente), mas aqui terão sinceras palavras e sentimentos que precisam ser expressados.

Bom, na minha indigna e fracassada tentativa de seguir em frente, me deparei com circunstâncias que nunca imaginaria passar. Desde a garota mais atirada até a mais tímida o que pude concluir é: estou encrencado. É algo da vida, você precisa conhecer as garotas. Mas e quando elas não querem te conhecer? Ou simplesmente não respeitam sua maneira de ser?

O frustrante não é não ser correspondido ou respeitado, mas sim tentar enxergar características suas.. nelas. O frustrante é ter a ciência de que eu mesmo sou o problema.  Ou ainda mais saber que você ainda é o meu problema.

Vamos colocar os pingos nos is. Eu superei você. Isso é fato, e eu estou bem comigo mesmo nesse quesito. Porém, eu superei o que você é? Eu superei seu jeito doce de ser, falar e agir? De cantar, de abraçar, de sorrir?

Você pode até me dizer: “Um passo de cada vez, meu caro”, e lá vou eu. A cada passada, a cada estrela que encontro pelo caminho, eu afundo mais num lamaçal de solidão nessa busca ao desconhecido. Então você me pergunta: “Afinal o que é que você está procurando?”. E o que eu tenho a dizer é:

Estou procurando nelas aquilo que achei em você.

Escrito por: Apenas um satélite.

sábado, 7 de novembro de 2015

Hiato

Para onde estamos indo?
Para o fundo da escuridão
Onde o amor está em escassez
(E não podemos respirar)
Não, não mais. Porque ar não há.

Para onde onde estamos indo?
Para o fim da estrada fria
Onde os raios de sol não batem
(E já não podemos voar)
Não, não mais. Porque céu não há.

Para onde estamos indo?
Para o início vazio
Onde o querer não existia
E o silêncio imperava
(E já não podemos gritar)
Não, não mais. Porque voz não há.

Mas agora só há
Verdades e ódio
Discursos e palavras
(E já não podemos ser)
Não, não mais. Porque cor não há.

(E não se pode existir)
Não, não mais
Porque transcendência não há.

(E não se pode sentir)
Não, não mais
Porque compaixão não há.

Mas agora só há
Algemas e solidão
(E já não podemos ser)
Não, não mais
Porque amor não há.

Será que você pode me escutar?
Não, não mais
Porque o silêncio grita
O que eu não pude explicar.


T.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Por lugares incríveis

Sobre o livro "Por lugares incríveis".

Querido Theodore Finch,

Você não é o primeiro personagem que me faz pensar nisso. Nic, Hanna, Alasca, Violet, e muitos outros dos quais talvez eu já não me recorde passaram na sua frente. Entretanto este livro de alguma forma me deixou transbordando, repleta daquela sensação. A estranha melancolia acompanhada pela felicidade inexplicável, ou talvez ou contrário. Não importa. Pensar na morte sempre me deixa triste, e ironicamente, talvez um pouco menos do que pensar na vida. Porque as pessoas morrem? Às vezes penso que esta é uma pergunta simples. Ao contrário do que queremos - e precisamos acreditar, tudo um dia chega, inevitavelmente, ao fim. Como se todas as coisas do mundo (inclusive, possivelmente, ele próprio) possuísse um prazo de validade. Ás vezes, dura segundos. Ás vezes, algumas horas. E outras vezes, um pouco mais. Ainda existirão pessoas quando partirmos, e o mundo ainda continuará aqui.
Isso me faz pensar no quão pequenos devemos parecer em relação ao universo. Como eu disse, essa é uma pergunta simples. Se tudo que é bom durasse infinitamente, como o mundo conheceria outras coisas igualmente - ou talvez um pouco mais, boas? As coisas tem um prazo, Theo. Mas ainda assim, é triste pensar que as pessoas também. Então vamos à pergunta dificil: porque algumas pessoas se matam?
Creio que meu limitado conhecimento não me permita responder esta questão afinal generalizar é, e sempre vai ser, um erro. Dados, estatísticas, porcentagens...isso não significa nada. Nós nunca saberemos com certeza o que se passa na mente de outra pessoa, porque somos como um turbilhão. Às vezes garoas frias, ou tempestades violentas. Raios levemente ensolarados, ou explosões impactantes. Eu sei, porque já as vivi, e estaria mentindo se dissesse que eu nunca pensei na morte. Já. Dezenas de vezes. Algumas delas, quando eu sentia como se estivesse sendo sufocada por minha própria mente, e o turbilhão que se passava nela. Outras, quando o vazio - que eu era, estava, ou havia me tornado, não me deixava respirar. Não sei em quais momentos realmente pensei nisso - desejei, por um instante, morrer; por que sinceramente não sei o que é pior: tudo, ou o nada. Mas não o fiz, e acho que nunca faria. Simplesmente, continuei, e não sei exatamente o motivo. Também não é simples perguntar a alguém porque ele vive. Afinal, se trata disso. Uma escolha. Por mais que, às vezes, nós acabemos nos sentindo como se não houvesse escolha, ela existe.
Porque continuamos no labirinto? Às vezes penso que alguns de nós somos um pouco esperançosos, sempre aguardando a tal subida da montanha russa. Os dias melhores. O poço da imensidão azul, o Grande talvez, o tal manifesto, ou seja lá como chamem. Para você, Violet era a vida. Mas o que será a vida para os outros - o resto de nós?
Outras vezes, penso que continuamos apenas pela comodidade. Estamos estáticos, e talvez, a vida seja apenas algo que apenas continuamos levando. Como uma obrigação, ou algo comum. Talvez seja mais fácil pensar assim. A verdade é que me questiono bastante sobre isso. E alguns dias atrás você me fez pensar ainda mais. Violet não pôde te salvar, e agora, novamente, me pergunto se a salvação realmente existe. É possivel consertar alguém, ou pelo menos ajudar a encontrar os pedaços? Gostaria de pensar que sim, mas, talvez, isso nos torne de certa forma responsáveis uns pelos outros. E, Theo, isso é um perigo e tanto. Porque nenhum de nós sabe o impacto que causamos na vida de outra pessoa. Só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil, e Miles sabia bem disso. Ou talvez Hanna esteja errada. Talvez - e confesso que isso me assusta - não se possa salvar outra pessoa. Não dela mesma.
Às vezes é uma bola de neve. Às vezes, o enorme labirinto sem saída, ou a busca infinita e sem resultados pelo Grande Talvez. Às vezes, a tal montanha russa. E outras, o fundo do poço azul.
Eu não sei o que leva alguém a desejar morrer. E também não sei o que se passa na mente de outra pessoa, e creio que nenhum de nós sabe. Nós não sabemos, Theo. Como salvar alguém. Como sobreviver à dias acinzentados. Como encontrar o Grande Manifesto. Como ser suficiente. Nenhum de nós sabe. Mas eu sei, agora, que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa. A marca que deixamos no mundo - seja grandiosa, ou talvez uma pequena marquinha - é o que nos define. E você, esse personagem inconstante - talvez tanto quanto Alasca Young, adorável, e incrivelmente sexy, junto com o livro "Por lugares incríveis" causou um impacto e tanto. Sinto como se eu não pudesse, agora, ler livro nenhum.Todos me parecerão fracos perante algo tão...marcante.
Acho que nunca permanecemos os mesmos depois de ler uma boa história. E acho que nunca mais verei a vida, ou o azul da mesma forma. Com amor,
T.

domingo, 5 de abril de 2015

Para Você.

"Eu já escrevi muitos textos, e apenas lhe mostrei alguns deles. E todos, juntos, têm palavras como estas, e tentam resumir tudo o que eu já senti, sinto e sentirei por você - de uma forma imperfeita.
Eu só comecei a escrever por causa desse sentimento, e devo a pouca qualidade que eu mostro, nesses textos, a você, e em um futuro não tão próximo, quando eu olhar pra todas esses escritos, vou perceber que é uma das coisas mais bonitas que senti, e espero estar ao seu lado, olhar pra você, e perceber que apesar de ser tão lindo pode sempre melhorar. E se não estivermos juntos, vou saber que valeu a pena e que foi uma das coisas que me fizeram mais feliz. Entretanto, vou fazer o possível e o impossível pra que a primeira situação seja a real.
Sabe, eu já quis muitas coisas na vida. Tive muitos sonhos. Expectativas. E todos eles envolviam e envolvem situações que me possibilitam ser feliz. E hoje eu vejo que essa característica continua por um desejo que está todos os dias em minha mente, e eu penso e tento criar ferramentas pra poder realizá-lo. Pode parecer clichê, mas eu desejo muito que você possa ser cada vez mais feliz e que se sinta infinita a cada segundo que passe, por mais que isso possa parecer apenas uma utopia. Mas eu desejo muito mais te fazer feliz. Porque possibilitar que você sorria todos os dias não teria preço, e se necessário for, eu darei a Lua e as estrelas pra que você se sinta o melhor possível. E embora eu saiba que tudo isso possa estar parecendo palavras de um bobo apaixonado - ou alguém que só diz coisas vazias, quero que saiba que estou sendo sincero; e quero muito que o que eu disse no parágrafo acima se realize. Sei que eu já disse que te amava, mas eu vejo que esse amor era imaturo e que este desejo prova que este sentimento amadureceu. Porque antes eu apenas desejava que nós ficássemos juntos, mas hoje eu vejo que torná-la cada vez mais feliz é muita mais importante do que isso. E é algo que eu sinto por pessoas que eu amo verdadeiramente... Então, se você estiver lendo este texto e perceber a mudança, todas as palavras dele vão valer a pena como nunca. E eu sei que a vida não é feita apenas de palavras, mas também de atitudes. E essas valem muito mais, pois quero que todas elas tenham um sabor de felicidade em seu coração. Porque estar ao seu lado não tem preço... Sentir suas mãos nas minhas, seu perfume, seu calor, ouvir sua voz e ter você ao meu lado... tudo isso não tem preço, pois te ver feliz talvez seja uma das melhores coisas do mundo. E possibilitar isso é o desejo que move o sentimento que eu tenho por você e o faz crescer a cada dia.
Eu não apenas te desejo, mas também te amo. E te quero ao meu lado."
Rogério