quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Recomeço

Querido Tim, 

 Andei pensando ultimamente, e com certeza isso tornou-se um defeito constante meu, pois não fico bem ao fim de minhas reflexões. Por mais que eu esteja próximo de explodir como granada em meio a guerra não demonstro abalo. Meu exterior tornou-se uma dádiva enganosa, o contrário do valor intrínseco que se encontra no poço vazio do meu ser. Cheguei a conclusão do quanto eu perdi na minha adolescência, do quanto fui covarde me privando das coisas singelas da vida por medo, me acorrentando no cárcere da solidão e da abstinência para agradar um ser maior e pessoas que me cercam. De certo modo não me arrependo, mas não me agrada ser quem sou hoje: um solitário andante nas ruas inóspitas da amargura.
Deitado em meu quarto ouço o barulho do movimento que o ponteiro de um relógio faz. Não é nada reconfortante. Ele grita me alertando que o tempo está passando - talvez implicitamente, e diz também que devo mudar a condição na qual me encontro, não esperar o sol se pôr e assumir riscos para ser feliz. 

Riscos que temi por toda minha vida. Um beijo. Um "olá". Um olhar. Momentos jamais vividos por um jovem enjaulado como um pássaro maculado sem chances de alçar vôo. Nesta enfadada noite penso em saltar de um prédio ou pular de um penhasco. Cair. Voar. Sentir-me livre e infinito. Abrir as asas e dançar com as estrelas, sentar no sorriso da lua e pescar sonhos. Me aconchegar numa nuvem e dormir serenamente. Acordar disposto não para fazer um novo começo, mas para recomeçar e fazer um novo fim. 
Até mais, Tim. 


 Carta de: "Apenas Um Satélite".

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Eu só versifico pra ver se fico menos só."

A solidão me veio quando eu ainda jovem. Escrevi minha vida toda pra que ela não fizesse parte de mim, como versos calorosos e estonteantes de amor.
Talvez esse seja meu maior erro: escrever pra ver se fico menos só, acreditando na entonação dos versos - assim como os de uma melodia, que nos transmite a certeza de que no final tudo ficará bem.
Escrever me alivia, me deixa inspirada, mas depois de pronto - e quando lido, deixa aquela mesma melâncolia de ficar só.
E então caio na mesma tentação de escrever novamente pra ver se tudo fica melhor.

(escrito por: "A.P")

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Poemas anônimos

Faltam apenas alguns minutos para a meia noite
E eu estou tão perto
Perto do paraíso
Torne isto verdade:
Não me deixe acordar
Você realmente está aqui?

Faltam apenas alguns minutos para a meia noite
Mas no mundo real
Talvez o sol ainda não tenha ido
Torne isso verdade:
Não me deixe acordar
Eu quero você aqui.

Faltam alguns segundos para qualquer hora
E nenhum espaço entre nós dois
Torne isso verdade:
Não me deixe acordar
Continue aqui.

Já não sei que horas são
E acho que não me importo
Porque as luzes estão apagadas
E a noite é o melhor lugar para segredos.

Então torne isso real
E não me solte
Porque não há espaço algum entre nós
E eu quero você aqui
E quando as luzes se acenderem , não se afaste
Porque eu estou perdida
Sem você aqui.

( Escrito por: "Tempestade" )

Sobre aquela garota

"Quero ser seu escudo e protegê-la nos momentos em que estiver em perigo. Quero ser sua lança nos momentos em que precisar atacar. Quero curar suas feridas quando estiver machucada. Quero secar suas lágrimas nos seus momentos de angústia. Quero confortá-la com meu abraço quando estiver precisando de um porto seguro. Quero sempre pronunciar o amor que sinto por ela para que se sinta cada dia mais amada. Quero presenteá-la todos os dias para que perceba o tamanho da importância que tem em minha vida. Quero fazê-la sorrir diariamente para poder visualizar o sorriso mais lindo que já presenciei. Quero que tenha toda a minha atenção quando precisar de alguém para escutá-la. Quero proporcionar todo o bem que ela me proporciona de forma intensificada. Quero ser sua família. Quero ser seu melhor amigo. Quero ser seu amor, e se assim for, reescreverei esse texto de forma que todo o desejo se transforme em realidade."

(Escrito por: Rogério).

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Outro lugar

Clarice (Lispector),

Passei muito tempo, dentro destes meus quase dezoito anos, apenas ouvindo rumores a seu respeito. Alguns a entendem, outros nem tanto, e por isso as palavras variam - de elogios a decepções, mas acabei por descobrir em uma tarde, quase noite, em que você foi apresentada a mim verdadeiramente, por meio de algumas páginas velhas de um livro com cheiro de passado, um alguém que me entende, em todos os sentidos que essa única palavra, "entender", pode carregar, ou não, consigo.
No entanto, Clarice, você não é a primeira com esse nome que eu tenho o prazer de “conhecer”. Houve, também, aquela menina com uma historia triste, que apenas queria que o mundo lhe estendesse a mão, que toda aquela paz, toda aquela força, não fossem apenas um sonho, e afinal de contas, quem não espera isso? Mas seu soluço é enlouquecedor, e as lágrimas vão para sempre correr para fora de seus belos olhos, mas eu não a culpo, talvez eles sejam agora o que eu era antes, o que eu queria ser, talvez eu tenha ficado para trás, talvez eles tenham me deixado para trás, tenham me feito ser como qualquer uma destas tantas coisas, que ficam, enquanto o trem vai, e eu apenas observo por essa mesma janela.
E Drummond tinha razão: preferimos dormir a conviver com nossos problemas nesse mundo onde somos todos, de certa forma, um pouco infelizes, e não conseguimos fazer nada para escapar, mesmo sabendo qual é a realidade.
Mas nada disso é o que eles querem que seja dito, o que eles querem escutar. E o que eu posso fazer? Isso é o que se ganha quando se tenta ser você.
E você, Clarice? Como se sentia? Ou melhor, como se sente? Uma vez você fez parecer que a ignorância realmente é uma dádiva, pois o erro das pessoas inteligentes é tão mais grave: elas têm os argumentos que provam.
Todos carregaram dores no coração, segredos e palavras não ditas que sufocam, e me parece que você queria fugir de si mesma, como se soubesse coisas demais, como se estive cheia demais de si, é como não conseguir mudar mesmo estando descontente com o que eu me tornei, e essa dor e essa ansiedade simplesmente não se vão, porque parece que não houve um alguém para quem dar a mão ao me jogar do precipício.
Mas eu estou me dispersando, e quem sabe, nessa de sair da realidade para caminhar em direção à lanterna dos afogados, a qual presumo que eu pertença, eu  o encontre, com todo o alecrim e o hortelã o envolvendo, como o que uma áurea azul cintilante. E por falar do azul - todos eles citam-no agora - e me pergunto se eles o entendem ou ao menos o sentem como eu um dia senti, como naquela noite onde talvez eu pudesse sentir o vento, mas domingos costumam não surpreender.
A vida continua, os instantes são apenas instantes, e talvez eu queira fugir de mim mesma, porque assim estaria pronta pra viver tudo que sempre quis Clarice. Mas sei que o que me levará ao final, serão meus passos no caminho, não perseguirei meu próprio destino, não quero ser o acaso que esperam de mim.
E já fazia tanto tempo, o Sol já tinha partido, e a Lua se escondia no céu, mas, na mesma noite, os sorrisos se encontraram, e mesmo que não se soubesse o que devia ser feito, não se podia dizer o adeus.
Mas eles me fizeram acreditar no amor que não existia, na amizade que nunca fora um laço verdadeiro.  As palavras foram ditas num dia de ventos fortes, que as levaram,  nunca houve um abraço apertado, e ele me disse como quem sabe o que precisamos ouvir, "não se prive de sonhar e voar em busca de sua história”, mas, acho que já construí muros ao meu redor.
Todos os dias os mesmos gritos, as mesmas brigas... As mesmas mentiras, as mesmas façanhas. Desejo fechar meus olhos e nunca mais abri-los, e talvez alguns remédios e um copo de bebida me deixem em paz. Preciso de uma música alta e me dispersar em mim mesma, de mim mesma. Mais do que o normal.
Esta carta já dura três dias, mas, assim como os dela - os da menina que, mesmo que longe o suficiente de mim para fazer que meu coração consiga doer - meus pensamentos são estrelas que não consigo arrumar em constelações, e agora eu consigo ver o céu se abrindo, e o azul se aproximando. Clarice, confesso que ainda estou perdida, mas a garota eternamente infinita por si só mesmo disse: a beleza de tudo é a certeza de nada, e o talvez torna a vida um pouco mais atraente; a inconstância, o feliz e triste, ele sempre esteve certo, e eu sinto tanta sua falta, mas ela tem me ensinado tantas coisas, em pequenas palavras, talvez sem perceber, e agora eu também consigo sentir como tudo vai ficar bem, e eu espero que você também tenha sentido, ou, venha a sentir, nunca é tarde demais.
E que fique claro que eu derramaria quantas lágrimas fossem necessárias, e daria quantos sorrisos precisasse. Eu não queria a soltar, mas agora, sei que devo voltar a voar ao seu lado. Você consegue me entender? Porque eu não faço ideia do que metade disso possa significar, mas tenho a certeza que ainda tenho esses corações, e são o que eu preciso, são o que eu quero.
Agora preciso apenas fechar os olhos, lembrar do sorriso e como sete anos me parecem ontém, lembrar de uma chuva que fez tudo começar, e como eu adoro a primavera que está por vir.
Amanha já é quarta Clarice, e terei que acordar, sem nem ao menos ter dormido, daqui a algumas horas. Não sei quando lhe escreverei novamente, talvez quando tudo desabar novamente, ou quando eu acreditar que seja a subida da montanha-russa.
Aonde quer que esteja, espero que tenha aprendido a conviver com seus vícios, dentro deste infinito verso.

Com amor,


O cego do castelo.


(em algum(ns) dia(s) triste(s), antes das seis)

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Respirando esperança

Olá Tim,

Sou eu novamente.
Não é digno dizer meu nome. Saiba apenas que sou um mísero ser transeunte do espaço, orbitando sem destino e sem um motivo de viver. Sim, as coisas não estão boas. Estou descontente.

Acordei refletindo - o que não considero uma coisa boa porque acabo em confltos internos – sobre o meu eu. Qual o meu valor no mundo?
Tenho realmente aproveitado meus bons momentos e admirado a beleza da natureza que resta neste corrompido mundo?
Sabe Tim, assim como você, desejo voltar no tempo e consertar meus erros, ajudar as pessoas, passar mais tempo com amigos e familiares, amar mais.

É tudo tão monótono e as coisas se repetem de tal forma que você se acomoda deixando de contemplar o belo, não notando como o céu estava lindo e azul, como as árvores estavam repletas de flores coloridas, como os pássaros cantavam harmonicamente pela manhã para alegrar aqueles que nem sequer percebiam o que acontecia ao seu redor. Não me lembro do cantar dos pássaros ou do vento uivando e batendo nas folhas. Parece que se calaram, cansaram de se apresentar para uma platéia que simplesmente fechara os olhos e tampara os ouvidos. E quer saber de uma coisa? Eu estava sentado na primeira fileira.

Hoje seria mais um dia com a máscara da felicidade, mais um dia de fingir que está tudo bem. Só que o destino quis me agraciar. Andando pela estação de trem me deparo com um deficiente, creio eu que tinha problemas na coluna e caminhava com dificuldade. De repente o mesmo se desequilibra e cai, apoiando as mãos no chão. Ele estava de quatro. Muitas pessoas passavam e não ajudavam o homem que aparentava ter quarenta anos e custava a se endireitar. Eu simplesmente o fiz. Peguei-o pelo braço e o levantei.

Você não me conhece, Tim, mas não sou um cara com um bom condicionamento fisico. De onde veio a força para levantar aquele moço eu não sei, mas espero sentí-la novamente. Que ironia, não? Por cinco minutos minha insignificante vida teve um sentido, uma importância. Foi como ter emergido por alguns instantes do rio de lágrimas que me afoga e respirado um pouco da esperança de perseverar que se move na atmosfera.
Que mais dias como esse venham, ou que eu me desprenda de vez da pedra da agonia em que fui acorrentado. Que eu possa para sempre respirar esperança.

Até logo, Tim.

Carta de: "Apenas Um Satélite".

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sobre almas gêmeas

Querido Sid,

Já faz certo tempo que recebi uma visita inesperada e que, hoje, já é membro da casa. Talvez você seja a pior pessoa com a qual alguém possa falar sobre o amor, mas acredito que, pelo contrário, você seja a melhor, porque viveu e sacrificou tudo pelo ele, sentiu o que ele é capaz e acabou, de certa forma, morrendo por ele.
Mas agora quero lhe contar alguns dos meus pensamentos sobre o sentimento que vem me salvando.
Como saber se alguém é realmente sua alma gêmea? Como você soube que aquela garota era realmente sua? Como olhou nos olhos de Nancy, e soube que era ela e mais ninguém? A meu ver é bem simples- mais simples do que se pode acreditar ou imaginar.
Você se cativa por alguém, e essa pessoa é cativada por você também, mas de uma forma mais especial do que o apenas "interessar" pode carregar, e você acaba percebendo com o tempo, pois, vocês viram amigos, conversam sobre tudo e passam a se conhecer, e querem saber cada vez mais um sobre o outro. E esse querer é tão grande que mesmo que as palavras não sejam ditas, o amor vira consequência disso
 Tudo fica perfeito, a princípio, mas alguém tropeça, o outro cai, acaba não dando certo, e então, ao invés de se contentarem com isso, resolvem tentar de novo, e independente das brigas, dos desentendimentos, das mágoas e dos momentos ruins que isso pode proporcionar, ambos insistem, tentar e tentar, sempre dar mais uma chance, sempre pedir mais um perdão, então começam a mudar, as atitudes, as manias, os vícios, tudo com o intuito de acertar, de agradar seu grande amor, e fazem isso até que chegue o ponto de mudar a outra pessoa, se mudar, completar o vazio um do outro e, enfim, se encaixarem, tornando-se duas partes que formam um todo.
Por que amar não é gostar e idolatrar incondicionalmente uma pessoa. Amar é se importar, é cuidar de alguém, e só conseguir estar cem por cento bem ao lado dessa pessoa, não conseguir tirar seu rosto da mente, não esquecer seu cheiro, e trocar tudo por um beijo que seja. 
Sabe Sid, por muito tempo achei que o amor era algo que não passava de uma palavra. Clichês. Mas quando eu o encontrei, me arrependi da minha falta de fé, pois o amor é o sentimento de paz, de felicidade e de harmônia que você só encontra do lado da pessoa que te completa.
Eu achei minha outra metade, aquilo que faltava na minha vida, e nunca vou deixá-la escapar de meus braços - a menina que me tira sorrisos sinceros e suspiros de paixão.
Eu espero que, onde quer que você tenha ido se aventurar, que esteja livre.

Com amor,

O desonrado.

17:21hrs. 30/08/14. 

sábado, 30 de agosto de 2014

Questão de tempo

Querido Tim,

Ouvi sua história um tempo atrás, e suas palavras me tocaram de maneira surreal, penetrando na essência do meu ser. Eu me identifiquei com elas.
Confesso que em minha condição atual, estou perdido como você um dia estivera, cercado de pessoas que se importam e me amam, mas a solidão e a inanidade tornaram-se minhas melhores companheiras de viagem. Falta algo, tem um vazio.
Pude ver em seus olhos o anseio de se encontrar e de esbarrar em alguém para amar, um lugar para retornar. Digamos que você é um homem de sorte, a descoberta de um segredo mudara completamente sua vida. Erros do passado foram concertados, barreiras de covardia e inferioridade foram derrubadas. Como eu o invejo! Encontro-me caminhando descalço, com roupas rasgadas e sujas, por num túnel escuro e frio, sem esperança de que, em algum determinado momento, eu tornarei ver a luz.
A monotonia me persegue, e não há curvas, ou um atalho ou trilha de escape nessa jornada sem volta, é sempre a mesma direção. É sempre a mesma dor. O colorido não me agrada mais, na realidade nem me lembro dos tons vivos que enfeitavam meus dias. Agora só restam borrões de cinza e preto. A alegria que irradia de mim não é mais do que algo mascarado, porque é um prazer tão majestoso contemplar o sorriso na face de alguém que qualquer demonstração de abatimento pode ruir todo esse arsenal de felicidade.
Se existe um ponto positivo nessa história? Bom, Tim, contigo aprendi que as más circunstâncias da vida são questões de tempo. Posso estar passando por um período em que o silêncio é uma das maneiras pra curar a dor, só que logo tudo terá findado. Posso não ter uma novidade que mudará minha vida, mas tenho ciência de que eu o devo fazer. Na hora certa, claro. Todos, seres da terra, viajamos no tempo todos os dias de nossas vidas, então cabe a nós então fazer o nosso melhor e aproveitar esse maravilhoso passeio. Esse passeio que um dia hei de encontrar.

Obrigado Tim.

Escrito por: Apenas um Satélite.

Primeira carta: Perdido na imensidão.

Querida Amy,

Me defrontei com a pior ideia possível: a ideia de que não poderei fazê-la feliz. Meu coração está chorando agora por isso. Ele foi completamente quebrado e está jogado no chão junto com as lágrimas que saem, lentamente e de forma totalmente intensa.
Como olhar para a pessoa que você ama e convencer a si mesmo que é hora de partir? Ainda não consegui compreender.
Por que isso tinha que se manifestar logo no meu coração, que até aquele instante estivera congelado? 
As coisas deveriam ser mais fáceis, mas parece que meu lamento se torna cada vez maior. Eu a amo como nunca amei ninguém, e é uma pena que ela não sinta isso por mim também.
Eu realmente não sei o que fazer agora. Estou perdido no imenso nada. Perdido e solitário. Perdido e sem quase nenhuma esperança. Ela virou pó e voou além de onde eu poderia chegar. Não sei se terei forças para alcançar ela novamente.
Eu não sou o suficiente e acho que nunca serei. Acredito que o garoto da cabeça chata deva ser o suficiente. O garoto das mangas dobradas também foi o suficiente. Todos são suficientes menos o desafortunado garoto do coração apaixonado.
Nunca imaginei que iria doer tanto. Nenhuma dor foi tão intensa quanto essa. Imagino a ideia de enfiar a mão e tirar o mal pela raiz e contemplar meu coração batendo por ela. Ah, como dói! Está doendo muito. Muito mesmo.
Agora consigo compreender as suas músicas ou o fato do porque utilizava drogas. Talvez esta dor passe com um pouco de cocaína. E por que se importar com a saúde do corpo se a minha alma está completamente morta?
Que me chamem de louco querida Amy mas você esteve certa e só agora compreendo isso.

De seu mais novo fã,

Rogério

P.S: É assim que eu me sentia no dia 9 de Agosto sem algum motivo aparente.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Desabafo

Querida Vó,

Às vezes, eu penso que talvez com a sua presença eu teria um ombro para chorar sem me explicar - não que eu não tenha pessoas para me ajudar nessas horas, mas sempre achei seu colo o melhor de todos. Todas as suas palavras de conforto, todos os seus mimos. Ah, como eu sinto falta!

Agora penso em como seria passar a adolescência ao seu lado. Você com certeza foi uma das melhores pessoas que entraram na minha vida. Você tornou a minha infância a melhor, mesmo sem muitos recursos, pois era com você que eu passava minhas melhores férias. Obrigada por ter feito tudo por mim. 

Esses dias estava tentando lembrar da última vez que a vi, e chorei, porque realmente não lembro. Acho que me sinto mal por não ter te visitado, mas regras são regras, e no hospital não eram permitidas crianças naquela ala. Minha mãe conta que você queria nos ver nem se fosse pela janela do hospital. Mas talvez tenha acabado assim, e tenha sido o melhor jeito, sem mais dores e sofrimentos. Pode-se dizer que eu ainda choro às vezes, mesmo que em muitos momentos 6 de outubro passe batido. Essa data marcou minha vida, e o que a senhora me ensinou vai ficar comigo pro resto da vida. O melhor exemplo, a bondade, e o verdadeiro amor ao próximo. Talvez o que me tornei agora não iria te alegrar, e às vezes penso no que você iria dizer se me visse assim, mas acho que me confortaria e sempre estaria comigo.
   Eu simplesmente odeio essa doença e o jeito como ela leva as melhores pessoas de repente. 
 

Com muito amor,

 P.S.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sétima carta de um apaixonado

Querida Amy,

Apesar de te confiar alguns dos meus sentimentos mais profundos, eu nunca cheguei a me apresentar para você.
Sempre ouvi as suas belas e inspiradas músicas e admirei seu jeito. Você era uma mulher bem "gostosa" na fase em que não estava envolvida com os vícios, e sua personalidade era incrível. 
Talves eu me interesse tanto por você devido ao seu jeito totalmente contrário ao meu. Você acreditava que deveria viver intensamente, mas isso não te proporcionou muitos anos de vida. Já a minha vida tem como perspectiva a estabilidade e a durabilidade elevada. Não sei até que ponto isto torna a minha existência mais feliz. Talves seu modo de viver seja o melhor, mas infelizmente é o menos aceito por essa sociedade hipócrita. Eu realmente queria experimentar este modo intenso.
Bem, agora preciso falar algumas coisas para você.
Não me reconheço mais. Tantas coisas mudaram na minha personalidade e em minhas ações nos últimos tempos...se meu eu do passado me observasse rapidamente, sei que nunca reconheceria a natureza que cerca o ser inspirado que habita este "velho" corpo conhecido. Quando olho para o meu interior, me pergunto como todo o processo de mudança ocorreu sem que ao menos me deparasse com tudo isso.
Meus planos e sonhos antigos ainda sobrevivem dentro de mim, mas não com tanta intensidade como eram antes. Comecei a dar mais importância a coisas mais simples do que a essas utopias que possuia na minha mente.
Toda essa mudança ocorreu recentemente devido a um amor. O amor realmente muda as pessoas. Sou a prova concreta disso. Comecei a amar e criei novas perspectivas para a minha vida e fiz coisas que jamais faria. Adquiri hábitos um tanto peculiares e me descobri um fã de poemas, principalmente dos magníficos versos de Fernando Pessoa. Comecei a escrever para você devido a alguns pensamentos que me atormentavam.
Esta já é a sétima carta que escrevo, mas a primeira que permito que tenha conhecimento se é que isso é possível. Você saberá um pouco mais sobre mim ao longo das seis cartas anteriores. Agradeço desde já por me escutar.

Com carinho,

"Anônimo"



28 de agosto de 2014, depois das dez.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A primeira carta.

Querido Jim, 

Olá. Sem muitos clichês, acho não deveria me apresentar, porque assim como Charlie, talvez eu não deva dar a eles a chance de saber quem eu sou - não de verdade, é complicado, e você deve saber, essa coisa de imagens é uma bobagem, e algo que pode nos ferir tanto. Mas enfim.
Gostaria de lhe contar como vinha me sentindo triste por esses dias, exatamente como as crises existenciais de um adolescente qualquer, e como eu me proíbo de esquecer que ter 17 anos não é uma tarefa tão fácil. Sei que as coisas aconteciam com alguma explicação, mas eu não conseguia me concentrar em entendê-la, não conseguia buscar pelo lado positivo que existe dentro de tudo, e o motivo eu já nem sei, talvez, mas só talvez, sejam porque algumas coisas não mudam, e as pessoas acabam por nos ferir muito. O fato é que eu não via mais o azul em nenhum sorriso, mas consegui os ver em todos aquela noite. É engraçado como as coisas acontecem, e como eu me recupero a ponto de esquecer instantaneamente como me sentia antes. Você entende? Talvez todos sejamos assim, mas eu prefiro endereçar esse texto a você. Aliás, você os leria? Acho que não, mesmo que pudesse. Acredito que os dragões estão voltando pra casa, e o lar deles sou eu, assim como eles, de certa forma, passam a ser o meu, porque aquele mesmo cheiro já esta no ar, e mesmo que esteja frio lá fora, eu quero ver o dia como as estrelas mais bonitas do céu, e sorrir sem precisar de um motivo, porque ainda acredito que o mundo não seja um lugar diferente. Enfim, acho que é isso. Sou só uma adolescente que não sabe qual das portas deve abrir, que não quer ter que se tornar adulta de um dia para o outro, e que deseja ter esses amigos bem fiéis até o fim, seja qual for ele. Espero que você me entenda, e que também já tenha se sentido feliz e triste ao mesmo tempo, e tenha chego a conclusão de como ser inconstante dessa forma é, no fim, uma dádiva.

Até logo Jim, e com amor, 

O cego do castelo.

(14/08/14 - aproximadamente 12hrs)