Gosto muito de uma frase que diz: "às vezes pode ser libertador não se sentir parte de nada". Ela se adequa tanto a certas circunstâncias da minha vida que chega a ser assustador.
O que me vem a mente é que nos sentimos tão dependentes de pessoas, de grupos, de objetos, que esquecemos de nós mesmos. Esquecemos de quem somos e no primeiro minuto que percebemos que só temos ao nosso próprio reflexo, tudo desaba. E logo estamos no chão frio do quarto revivendo memórias que no passado permanecerão.
Pode parecer meio depressivo, mas a solidão gera um certo sentimento controverso de alegria, o resgate de lembranças boas pode nos fazer sorrir por uns segundos até nos perdermos de novo. E nos encontrarmos no chão. Dentro de nós mesmos.
E eu estou aqui agora. Dentro de mim. Em mais uma crise de ânsia por um abraço, por um simples "olá, como vai?", por uma dose de amizade, de amor e afeto. Por uma vontade de não recusar convites, de ir atrás de alguém, de sei lá mais o que, porra.
Agora viria a parte boa. Eu afirmaria a frase do início, diria que não fazer parte de nada pode te ajudar a se abraçar, a reconhecer que mesmo sem uma companhia num dia qualquer da semana você tem a si. Eu queria poder dizer isso. Mas me sinto só e não sei como melhorar, eu não sei como ser suficiente para mim mesmo.
- anônimo