Querida Kathy,
Eu sempre quis confiar um pouco em forças maiores. Não estou falando nesse momento, entretanto, em questões religiosas, mas acho que em algo mais voltado para a sorte. Ou destino. Não sei. Talvez uma força magnética invisível e mágica. Isso soa bem bobo, mas eu sempre achei, no fundo, que independente dos rumos que as coisas tomassem, essa "força" sempre me levaria pro lugar certo no final - e levaria o lugar certo para mim. Eu sempre achei que independente de minhas atitudes, das atitudes das pessoas ao meu redor e das coisas que acontecessem - independente das mudanças, intencionais ou não - nós sempre acharíamos o caminho de volta e tudo daria certo. Mas para onde?
Essa é minha grande pergunta. Eu sempre pensei que não precisava me preocupar com muitas coisas, porque as pessoas não iriam embora, e, quer dizer, eu mesma nunca vou a lugar algum. Mas e se, ao contrário da força que eu imaginava existir, um outro campo maior estiver nos puxando em direções contrárias? Um campo tão forte controlado, invisivelmente por...nossas próprias mãos, e talvez nossa mente? Eu não sei dizer...
Eu gostaria de verdade de deixar tudo nas mãos do destino - mesmo dizendo que uma parte de mim não acredita nisso. Tudo. Mas eu tenho medo desses campos, e um medo ainda maior de eles não existirem, porque isso significaria que todas as decisões são apenas minhas (nossas), e isso nos torna piores ainda. Porque, numa perspectiva maior, só o que importa é quanto amor você espalhou - como você foi (é, vai ser) pras pessoas ao seu redor, e como elas serão pra você.
Numa perspectiva maior, pequenas coisas não importam, e nós deveríamos pensar muito, muito, em tudo, e além. Mas quem quer fazer isso? Quem quer ver além de seu próprio reflexo?
Numa perspectiva maior, nossa existência egoísta - e, lembrando, insignificante para o universo - só faz sentido se significar algo para outras existências egoístas e insignificantes. No final do dia, tudo o que importa é quanto amor você espalhou. Atingir e se permitir ser atingido - no bom sentido da palavra. Tudo o que importa é aquela pergunta no final da entrevista. "O que você fez pra minorar a dor de seu semelhante?"
Mas eu tenho medo de olhar pra ela. Eu realmente tenho medo.
Amor,
T.