sábado, 9 de abril de 2016

Não me abandone jamais

Querida Kathy,

Eu sempre quis confiar um pouco em forças maiores. Não estou falando nesse momento, entretanto, em questões religiosas, mas acho que em algo mais voltado para a sorte. Ou destino. Não sei. Talvez uma força magnética invisível e mágica. Isso soa bem bobo, mas eu sempre achei, no fundo, que independente dos rumos que as coisas tomassem, essa "força" sempre me levaria pro lugar certo no final - e levaria o lugar certo para mim. Eu sempre achei que independente de minhas atitudes, das atitudes das pessoas ao meu redor e das coisas que acontecessem - independente das mudanças, intencionais ou não - nós sempre acharíamos o caminho de volta e tudo daria certo. Mas para onde?
Essa é minha grande pergunta. Eu sempre pensei que não precisava me preocupar com muitas coisas, porque as pessoas não iriam embora, e, quer dizer, eu mesma nunca vou a lugar algum. Mas e se, ao contrário da força que eu imaginava existir, um outro campo maior estiver nos puxando em direções contrárias? Um campo tão forte controlado, invisivelmente por...nossas próprias mãos, e talvez nossa mente? Eu não sei dizer...
Eu gostaria de verdade de deixar tudo nas mãos do destino - mesmo dizendo que uma parte de mim não acredita nisso. Tudo. Mas eu tenho medo desses campos, e um medo ainda maior de eles não existirem, porque isso significaria que todas as decisões são apenas minhas (nossas), e isso nos torna piores ainda. Porque, numa perspectiva maior, só o que importa é quanto amor você espalhou - como você foi (é, vai ser) pras pessoas ao seu redor, e como elas serão pra você.
Numa perspectiva maior, pequenas coisas não importam, e nós deveríamos pensar muito, muito, em tudo, e além. Mas quem quer fazer isso? Quem quer ver além de seu próprio reflexo?
Numa perspectiva maior, nossa existência egoísta - e, lembrando, insignificante para o universo - só faz sentido se significar algo para outras existências egoístas e insignificantes. No final do dia, tudo o que importa é quanto amor você espalhou. Atingir e se permitir ser atingido - no bom sentido da palavra. Tudo o que importa é aquela pergunta no final da entrevista. "O que você fez pra minorar a dor de seu semelhante?"
Mas eu tenho medo de olhar pra ela. Eu realmente tenho medo.
Amor,
T.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A banalização de termos e o conflito do politicamente correto

Alguns meses atrás, ao assistir um documentário chamado "O riso dos outros" - lançado em dezembro de 2012 - que questionava os limites do humor, deparei-me com opiniões (minhas e de pessoas conhecidas) conflitantes em relação ao politicamente correto; o que me fez questionar não somente minhas próprias atitudes em si, mas também o significado delas.
Lembro-me vagamente de o vídeo mostrar alguns questionamentos em relação à piadas sobre mulheres, negros, pessoas com necessidades especiais, homossexuais e pessoas que não se encaixavam no peso "ideal" estabelecido por determinados padrões de beleza; evidenciando o fato de que, às vezes, uma aparentemente simples piada carrega ideologias que precisam ser discutidas e até mesmo questionadas.
O assunto foi levado para a sala de aula, e num determinado momento, um de meus professores questionou o uso da expressão "gordice", bem como "denegrir" e "judiar", o que levou a outros termos como "puta" e "bicha", por exemplo.
Acredito que neste momento - e peço perdão se estiver errada - você possa estar pensando algo como: "Mas e daí? É só uma piada. As pessoas levam as coisas a sério demais hoje em dia...". Digo isso porque vi/ouvi alguns comentários parecidos em relação ao assunto, e no momento é óbvio para mim que nunca se trata apenas de uma 'piada'.
É fato que todos já nos sentimos ofendidos com algo em algum momento de nossas vidas. E essa é a grande coisa sobre os limites do humor: sempre é algo sem importância, até que já não tem mais graça pra você - até você se tornar a piada.
Um dos termos que me incomoda bastante - e não só por eu estar me interessando bastante por algumas pautas feministas, mas por ter, atualmente, pensado bastante sobre o significado da expressão, é "feminazi". Me lembro de, após tê-lo ouvido pela primeira vez, ter ficado confusa em relação ao seu significado e ir pesquisar sobre na internet. Confesso que fiquei bastante surpresa, pois o termo, além de obviamente ter sido criado com a intenção de ridicularizar ou até mesmo deslegitimar o movimento feminista, mostra uma completa falta de leitura de quem o criou - ou dos adeptos a seu uso - em relação ao feminismo em si, e pior ainda, um total desconhecido em relação à História.
Além de a comparação com o nazismo - ideologia criada por Hitler e seguida pelo governo alemão - ser completamente sem fundamento, já que os nazistas pregavam a superioridade dos alemães (raça 'ariana') em relação a outras, prometendo restaurar o "orgulho de ser alemão", estes seguiram tal ideologia, um exemplo cruel do racismo, levando milhares de pessoas - entre elas judeus, homossexuais, negros e ciganos - à morte; o que não remete à semelhança NENHUMA com o movimento feminista, que prega a IGUALDADE entre os gêneros. Repito: nenhuma. O feminismo não mata, não exclui e não oprime, o que é bastante irônico se formos pensar no significado do termo "feminazi" e no que ele reflete.
Este termo foi criado com o único e óbvio motivo de deslegitimar tal movimento, ridicularizando mulheres que buscam o que deveria ser um direito: a igualdade; o que leva-nos novamente ao fato de determinadas expressões carregarem ideologias que precisam ser desconstruídas. Um bom exemplo é a palavra "puta", bem como seus derivados ou expressões que carregam um significado parecido (como 'piriguete' e 'vadia'), que nada mais são do que um reflexo do machismo na sociedade, que classifica as mulher entre "para comer" e "para casar", evidenciando o fato de a sexualidade da mulher ainda ser vista como algo ruim, sujo.
É não é só isso. O exemplo "gordice", já citado anteriormente, evidencia o fato de pessoas que não se encaixam no padrão de "peso ideal" serem ridicularizadas, e o termo "denegrir", bem como "negrice", por exemplo, mostra o preconceito - ainda existente - em nossa sociedade, que oprime e silencia o negro.
Creio que existem outros exemplos - que não me lembro no momento, mas que merecem ser questionados e discutidos, afinal, todo discurso carrega uma ideologia "por trás", e vale a pena pensar no fato de que, como evidencia o documentário O riso dos outros, a sua liberdade se encerra onde começam os direitos do outro, o que nos remete ao fato de que a exploração e opressão das minorias não é, e nunca deveria ser, motivo de piada.


Escrito por: Thamires Rodrigues

À procura do que encontrei em você

Olá você, é, você mesma.. A  estrela do meu passado.

Resolvi te escrever uma carta sem o intuito de enviá-la a você diretamente (e espero que não receba indiretamente), mas aqui terão sinceras palavras e sentimentos que precisam ser expressados.

Bom, na minha indigna e fracassada tentativa de seguir em frente, me deparei com circunstâncias que nunca imaginaria passar. Desde a garota mais atirada até a mais tímida o que pude concluir é: estou encrencado. É algo da vida, você precisa conhecer as garotas. Mas e quando elas não querem te conhecer? Ou simplesmente não respeitam sua maneira de ser?

O frustrante não é não ser correspondido ou respeitado, mas sim tentar enxergar características suas.. nelas. O frustrante é ter a ciência de que eu mesmo sou o problema.  Ou ainda mais saber que você ainda é o meu problema.

Vamos colocar os pingos nos is. Eu superei você. Isso é fato, e eu estou bem comigo mesmo nesse quesito. Porém, eu superei o que você é? Eu superei seu jeito doce de ser, falar e agir? De cantar, de abraçar, de sorrir?

Você pode até me dizer: “Um passo de cada vez, meu caro”, e lá vou eu. A cada passada, a cada estrela que encontro pelo caminho, eu afundo mais num lamaçal de solidão nessa busca ao desconhecido. Então você me pergunta: “Afinal o que é que você está procurando?”. E o que eu tenho a dizer é:

Estou procurando nelas aquilo que achei em você.

Escrito por: Apenas um satélite.