sábado, 7 de novembro de 2015

Hiato

Para onde estamos indo?
Para o fundo da escuridão
Onde o amor está em escassez
(E não podemos respirar)
Não, não mais. Porque ar não há.

Para onde onde estamos indo?
Para o fim da estrada fria
Onde os raios de sol não batem
(E já não podemos voar)
Não, não mais. Porque céu não há.

Para onde estamos indo?
Para o início vazio
Onde o querer não existia
E o silêncio imperava
(E já não podemos gritar)
Não, não mais. Porque voz não há.

Mas agora só há
Verdades e ódio
Discursos e palavras
(E já não podemos ser)
Não, não mais. Porque cor não há.

(E não se pode existir)
Não, não mais
Porque transcendência não há.

(E não se pode sentir)
Não, não mais
Porque compaixão não há.

Mas agora só há
Algemas e solidão
(E já não podemos ser)
Não, não mais
Porque amor não há.

Será que você pode me escutar?
Não, não mais
Porque o silêncio grita
O que eu não pude explicar.


T.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Por lugares incríveis

Sobre o livro "Por lugares incríveis".

Querido Theodore Finch,

Você não é o primeiro personagem que me faz pensar nisso. Nic, Hanna, Alasca, Violet, e muitos outros dos quais talvez eu já não me recorde passaram na sua frente. Entretanto este livro de alguma forma me deixou transbordando, repleta daquela sensação. A estranha melancolia acompanhada pela felicidade inexplicável, ou talvez ou contrário. Não importa. Pensar na morte sempre me deixa triste, e ironicamente, talvez um pouco menos do que pensar na vida. Porque as pessoas morrem? Às vezes penso que esta é uma pergunta simples. Ao contrário do que queremos - e precisamos acreditar, tudo um dia chega, inevitavelmente, ao fim. Como se todas as coisas do mundo (inclusive, possivelmente, ele próprio) possuísse um prazo de validade. Ás vezes, dura segundos. Ás vezes, algumas horas. E outras vezes, um pouco mais. Ainda existirão pessoas quando partirmos, e o mundo ainda continuará aqui.
Isso me faz pensar no quão pequenos devemos parecer em relação ao universo. Como eu disse, essa é uma pergunta simples. Se tudo que é bom durasse infinitamente, como o mundo conheceria outras coisas igualmente - ou talvez um pouco mais, boas? As coisas tem um prazo, Theo. Mas ainda assim, é triste pensar que as pessoas também. Então vamos à pergunta dificil: porque algumas pessoas se matam?
Creio que meu limitado conhecimento não me permita responder esta questão afinal generalizar é, e sempre vai ser, um erro. Dados, estatísticas, porcentagens...isso não significa nada. Nós nunca saberemos com certeza o que se passa na mente de outra pessoa, porque somos como um turbilhão. Às vezes garoas frias, ou tempestades violentas. Raios levemente ensolarados, ou explosões impactantes. Eu sei, porque já as vivi, e estaria mentindo se dissesse que eu nunca pensei na morte. Já. Dezenas de vezes. Algumas delas, quando eu sentia como se estivesse sendo sufocada por minha própria mente, e o turbilhão que se passava nela. Outras, quando o vazio - que eu era, estava, ou havia me tornado, não me deixava respirar. Não sei em quais momentos realmente pensei nisso - desejei, por um instante, morrer; por que sinceramente não sei o que é pior: tudo, ou o nada. Mas não o fiz, e acho que nunca faria. Simplesmente, continuei, e não sei exatamente o motivo. Também não é simples perguntar a alguém porque ele vive. Afinal, se trata disso. Uma escolha. Por mais que, às vezes, nós acabemos nos sentindo como se não houvesse escolha, ela existe.
Porque continuamos no labirinto? Às vezes penso que alguns de nós somos um pouco esperançosos, sempre aguardando a tal subida da montanha russa. Os dias melhores. O poço da imensidão azul, o Grande talvez, o tal manifesto, ou seja lá como chamem. Para você, Violet era a vida. Mas o que será a vida para os outros - o resto de nós?
Outras vezes, penso que continuamos apenas pela comodidade. Estamos estáticos, e talvez, a vida seja apenas algo que apenas continuamos levando. Como uma obrigação, ou algo comum. Talvez seja mais fácil pensar assim. A verdade é que me questiono bastante sobre isso. E alguns dias atrás você me fez pensar ainda mais. Violet não pôde te salvar, e agora, novamente, me pergunto se a salvação realmente existe. É possivel consertar alguém, ou pelo menos ajudar a encontrar os pedaços? Gostaria de pensar que sim, mas, talvez, isso nos torne de certa forma responsáveis uns pelos outros. E, Theo, isso é um perigo e tanto. Porque nenhum de nós sabe o impacto que causamos na vida de outra pessoa. Só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil, e Miles sabia bem disso. Ou talvez Hanna esteja errada. Talvez - e confesso que isso me assusta - não se possa salvar outra pessoa. Não dela mesma.
Às vezes é uma bola de neve. Às vezes, o enorme labirinto sem saída, ou a busca infinita e sem resultados pelo Grande Talvez. Às vezes, a tal montanha russa. E outras, o fundo do poço azul.
Eu não sei o que leva alguém a desejar morrer. E também não sei o que se passa na mente de outra pessoa, e creio que nenhum de nós sabe. Nós não sabemos, Theo. Como salvar alguém. Como sobreviver à dias acinzentados. Como encontrar o Grande Manifesto. Como ser suficiente. Nenhum de nós sabe. Mas eu sei, agora, que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa. A marca que deixamos no mundo - seja grandiosa, ou talvez uma pequena marquinha - é o que nos define. E você, esse personagem inconstante - talvez tanto quanto Alasca Young, adorável, e incrivelmente sexy, junto com o livro "Por lugares incríveis" causou um impacto e tanto. Sinto como se eu não pudesse, agora, ler livro nenhum.Todos me parecerão fracos perante algo tão...marcante.
Acho que nunca permanecemos os mesmos depois de ler uma boa história. E acho que nunca mais verei a vida, ou o azul da mesma forma. Com amor,
T.

domingo, 5 de abril de 2015

Para Você.

"Eu já escrevi muitos textos, e apenas lhe mostrei alguns deles. E todos, juntos, têm palavras como estas, e tentam resumir tudo o que eu já senti, sinto e sentirei por você - de uma forma imperfeita.
Eu só comecei a escrever por causa desse sentimento, e devo a pouca qualidade que eu mostro, nesses textos, a você, e em um futuro não tão próximo, quando eu olhar pra todas esses escritos, vou perceber que é uma das coisas mais bonitas que senti, e espero estar ao seu lado, olhar pra você, e perceber que apesar de ser tão lindo pode sempre melhorar. E se não estivermos juntos, vou saber que valeu a pena e que foi uma das coisas que me fizeram mais feliz. Entretanto, vou fazer o possível e o impossível pra que a primeira situação seja a real.
Sabe, eu já quis muitas coisas na vida. Tive muitos sonhos. Expectativas. E todos eles envolviam e envolvem situações que me possibilitam ser feliz. E hoje eu vejo que essa característica continua por um desejo que está todos os dias em minha mente, e eu penso e tento criar ferramentas pra poder realizá-lo. Pode parecer clichê, mas eu desejo muito que você possa ser cada vez mais feliz e que se sinta infinita a cada segundo que passe, por mais que isso possa parecer apenas uma utopia. Mas eu desejo muito mais te fazer feliz. Porque possibilitar que você sorria todos os dias não teria preço, e se necessário for, eu darei a Lua e as estrelas pra que você se sinta o melhor possível. E embora eu saiba que tudo isso possa estar parecendo palavras de um bobo apaixonado - ou alguém que só diz coisas vazias, quero que saiba que estou sendo sincero; e quero muito que o que eu disse no parágrafo acima se realize. Sei que eu já disse que te amava, mas eu vejo que esse amor era imaturo e que este desejo prova que este sentimento amadureceu. Porque antes eu apenas desejava que nós ficássemos juntos, mas hoje eu vejo que torná-la cada vez mais feliz é muita mais importante do que isso. E é algo que eu sinto por pessoas que eu amo verdadeiramente... Então, se você estiver lendo este texto e perceber a mudança, todas as palavras dele vão valer a pena como nunca. E eu sei que a vida não é feita apenas de palavras, mas também de atitudes. E essas valem muito mais, pois quero que todas elas tenham um sabor de felicidade em seu coração. Porque estar ao seu lado não tem preço... Sentir suas mãos nas minhas, seu perfume, seu calor, ouvir sua voz e ter você ao meu lado... tudo isso não tem preço, pois te ver feliz talvez seja uma das melhores coisas do mundo. E possibilitar isso é o desejo que move o sentimento que eu tenho por você e o faz crescer a cada dia.
Eu não apenas te desejo, mas também te amo. E te quero ao meu lado."
Rogério

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Tic-Tac

Sempre me falaram sobre a tal hora certa. Que há um determinado momento para cada coisa na vida, como fragmentos de instantes, divididos em subgrupos escondidos pelo tempo.
Sempre tentaram me mostrar as vantagens da espera, e como ser paciente seria a tal escada secreta para a realização de sonhos. Eu sempre ouvi que nada deveria ser programado. Que os dias, às vezes, são apenas dias, algumas horas condicionadas a passarem vagarosamente; e ás vezes, os dias carregam vidas inteiras, desacompanhando o tal do sentido do relógio. Nunca fui do tipo paciente...sempre engoli a comida quente, me desesperei para ir à primeira festa, chegar rapidamente nos lugares, encontrar meu amor épico, ter tudo o que queria...nunca fui à favor da tal espera. E isso sempre me levou a crer que talvez, eu tivesse alguns ponteiros desajustados nesse grande calendário que chamam de destino. Crer na tal coisa de que há um momento certo para tudo me levaria a pensar na palavra sorte. E pra falar a verdade, eu nunca acreditei nisso. É uma tolice pensar nessa coisa de pré-destinação. Como dizer para alguém que talvez, ele deva esperar 100 anos para ser feliz, enquanto outros, alcançam seu arco-íris em velozes 3 segundos. Ou como dizer que desejos não são realizados por um duente, estrela-cadente ou pote dourado, se você não estiver acompanhado do fato sorte desde seu nascimento. Talvez eu esteja sendo imparcial, afinal, nunca achei meu duende. Sempre fui o tipo que emperrava na catraca do ônibus, tropecava em latas de lixo, derrubava pilhas de papéis, tinha cerveja derrubada na roupa nova por algum bêbado em festas quaisquer e não ganhava os brindes em sorteios bacanas. Sempre fiquei bem irritada com o fato de toda uma vida poder ser controlada por algo imensuravelmente incontrolável: o tempo. Ou a sorte. Os tais ponteiros mágicos, trevo de quatro folhas, ou algo maior (isso depende do que cada um acredita). Sempre desdenhei aqueles amigos tolos, que ainda acreditavam nos finais de desenhos animados, e no fato de que o bem sempre vence o mal. Mas eu sei, que às vezes, isso muda. É difícil admitir, mas nenhum de nós carrega um controle para a própria vida...e algumas coisas, talvez uma imensa maioria delas, encontra-se totalmente fora de nosso alcance. Às vezes, precisamos lutar. E, às vezes, apenas esperar.
Eu ainda não acredito em sorte - não quero pensar que minha vida toda depende de um trevo de quatro folhas idiota - mas eu acredito em sonhos; e acho que se há algo justo em tudo isso, todos deveriam ter seu dia dourado. Às vezes, (para os sortudos de plantão, e eu sei que você os odeia tanto quanto eu) basta ficar sentado, acreditando que o mundo é um lugar perfeito, e ver todos os seus desejos facilmente realizados. E outras vezes (para nós, aqueles que tropeçam, constantemente, na metade do caminho), basta correr atrás. Tantas vezes quanto for humanamente possível. Os ponteiros, eles não param, mas nós podemos tentar acompanhá-los.

(Escrito por: Garota perdida)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Veja só, meu bem.

Tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, e talvez, até, desesperançosa. Embora, o amor dentro de mim eu tenha, não aprendi como devo usá-lo, afinal.
E às vezes parecem farpas. Desculpe-me se, por vezes, elas o machucam. A intenção não é ferir-te, e sim, amar-te. São tantos defeitos...eles não deixam-me continuar. Minha aspereza me deixa desesperançosa, meu ciúme me deixa inquieta e meu amor me leva para baixo.
E embora amor dentro de mim eu tenha - e muito, não consigo usá-lo, e não consigo decifrá-lo, pois minhas farpas o machucam.

Escrito por: A.P.

Para você - seja quem for.

Querida, 

Feche os seus olhos por um só segundo, tente me entender, por favor, tente me escutar, se puder me encontrar, seja mais rápida, sou péssimo - horrível mesmo - um desastre.
E entre outras milhares de coisas a parte, não sei esperar. Eu atravesso meu espelho e vejo que meu reflexo sempre foi o suficiente para me completar, mas nunca o suficiente, nunca o que eu espero, e apenas não o bastante para transbordar. Isso porque, do outro lado, são só árvores, sombras, e eu, e eu. Aqui é frio, é úmido e solitário, então ando cada vez mais e mais na direção da escuridão. O ar é tão denso que quase posso tocá-lo, mas então atravesso, minha mão ali estendida, direto para uma luz, uma bola de luz azul.
Então sou eu, então sou eu. A chuva de feixes brancos caindo do céu batem nas pedras que formam a ponte em baixo dos meus pés, enquanto do outro lado assisto, pasmo, mais branco que a neve que sempre quis ver, um rosto, não familiar; mas que eu tenho certeza que está ali para me buscar, estendo então minha mão, e finalmente entendo.
Ao encostar minha mão, percebo que sou o desconhecido do outro lado, esperando pelo terceiro anjo, aquele que faça com que esses dois sejam somente eu. 
Mas o espelho ainda me encara, e é quase como se eu não pudesse encarar de volta, mas eu gosto daqueles olhos, cheios de curiosidade, cheios de sonhos, com fome de amor, com sede de qualquer você. Mas não é qualquer asa que me faz voar, não é qualquer luz que me faz enxergar. O meu sangue, ele não ferve na minha veia, não por qualquer você. 
Veja, meu bem... O amor não acabou, não se perdeu. O amor só espera que você faça por ele o que ele faça por você, não é pedir demais que você ame primeiro, e depois seja amado. Não é pedir demais entender ao menos uma vez que o amor está além de palavras ridículas e gestos grandiosos exclusivamente a alguém, ou a qualquer você. O amor é realmente tão maior, e não, não estamos sós. Amor é de pai pra filho, é ajudar o próximo, é ver que em cada dificuldade há sim uma oportunidade de se mostrar mais que um objeto vazio no espaço, dar o primeiro passo, deixar de ver para crer, e começar a crer para ver, é isso que falta em você - seja quem for. 
Tente entender que o amor é tão simples quanto o boneco de palitos todo melecado de cola que você recebeu de uma criança, é o pedaço de bolo do seu irmãozinho, é o desenho todo borrado do seu filho, é o abraço apertado de cada manhã, de cada pessoa que realmente se importa, que realmente te ama.
Não que eu não goste de gestos grandiosos, mas é que simplicidade às vezes surpreende, e às vezes é o mais básico que faz falta. E a felicidade, ah, é mais do que grandiosidade, é tão maior que isso que está dentro de uma caixa de aproximadamente dois punhos juntos. “Queria acabar com a rima mais pesada, mas se não posso dizer que te amo, prefiro não dizer nada.”
E quando chegar, não precisa bater, é só entrar.

- 1°. Boriel -

De - Mr. Brightside.