quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sétima carta de um apaixonado

Querida Amy,

Apesar de te confiar alguns dos meus sentimentos mais profundos, eu nunca cheguei a me apresentar para você.
Sempre ouvi as suas belas e inspiradas músicas e admirei seu jeito. Você era uma mulher bem "gostosa" na fase em que não estava envolvida com os vícios, e sua personalidade era incrível. 
Talves eu me interesse tanto por você devido ao seu jeito totalmente contrário ao meu. Você acreditava que deveria viver intensamente, mas isso não te proporcionou muitos anos de vida. Já a minha vida tem como perspectiva a estabilidade e a durabilidade elevada. Não sei até que ponto isto torna a minha existência mais feliz. Talves seu modo de viver seja o melhor, mas infelizmente é o menos aceito por essa sociedade hipócrita. Eu realmente queria experimentar este modo intenso.
Bem, agora preciso falar algumas coisas para você.
Não me reconheço mais. Tantas coisas mudaram na minha personalidade e em minhas ações nos últimos tempos...se meu eu do passado me observasse rapidamente, sei que nunca reconheceria a natureza que cerca o ser inspirado que habita este "velho" corpo conhecido. Quando olho para o meu interior, me pergunto como todo o processo de mudança ocorreu sem que ao menos me deparasse com tudo isso.
Meus planos e sonhos antigos ainda sobrevivem dentro de mim, mas não com tanta intensidade como eram antes. Comecei a dar mais importância a coisas mais simples do que a essas utopias que possuia na minha mente.
Toda essa mudança ocorreu recentemente devido a um amor. O amor realmente muda as pessoas. Sou a prova concreta disso. Comecei a amar e criei novas perspectivas para a minha vida e fiz coisas que jamais faria. Adquiri hábitos um tanto peculiares e me descobri um fã de poemas, principalmente dos magníficos versos de Fernando Pessoa. Comecei a escrever para você devido a alguns pensamentos que me atormentavam.
Esta já é a sétima carta que escrevo, mas a primeira que permito que tenha conhecimento se é que isso é possível. Você saberá um pouco mais sobre mim ao longo das seis cartas anteriores. Agradeço desde já por me escutar.

Com carinho,

"Anônimo"



28 de agosto de 2014, depois das dez.

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