Olá Tim,
Sou eu novamente.
Não é digno dizer meu nome. Saiba apenas que sou um mísero ser transeunte do espaço, orbitando sem destino e sem um motivo de viver. Sim, as coisas não estão boas. Estou descontente.
Acordei refletindo - o que não considero uma coisa boa porque acabo em confltos internos – sobre o meu eu. Qual o meu valor no mundo?
Tenho realmente aproveitado meus bons momentos e admirado a beleza da natureza que resta neste corrompido mundo?
Sabe Tim, assim como você, desejo voltar no tempo e consertar meus erros, ajudar as pessoas, passar mais tempo com amigos e familiares, amar mais.
É tudo tão monótono e as coisas se repetem de tal forma que você se acomoda deixando de contemplar o belo, não notando como o céu estava lindo e azul, como as árvores estavam repletas de flores coloridas, como os pássaros cantavam harmonicamente pela manhã para alegrar aqueles que nem sequer percebiam o que acontecia ao seu redor. Não me lembro do cantar dos pássaros ou do vento uivando e batendo nas folhas. Parece que se calaram, cansaram de se apresentar para uma platéia que simplesmente fechara os olhos e tampara os ouvidos. E quer saber de uma coisa? Eu estava sentado na primeira fileira.
Hoje seria mais um dia com a máscara da felicidade, mais um dia de fingir que está tudo bem. Só que o destino quis me agraciar. Andando pela estação de trem me deparo com um deficiente, creio eu que tinha problemas na coluna e caminhava com dificuldade. De repente o mesmo se desequilibra e cai, apoiando as mãos no chão. Ele estava de quatro. Muitas pessoas passavam e não ajudavam o homem que aparentava ter quarenta anos e custava a se endireitar. Eu simplesmente o fiz. Peguei-o pelo braço e o levantei.
Você não me conhece, Tim, mas não sou um cara com um bom condicionamento fisico. De onde veio a força para levantar aquele moço eu não sei, mas espero sentí-la novamente. Que ironia, não? Por cinco minutos minha insignificante vida teve um sentido, uma importância. Foi como ter emergido por alguns instantes do rio de lágrimas que me afoga e respirado um pouco da esperança de perseverar que se move na atmosfera.
Que mais dias como esse venham, ou que eu me desprenda de vez da pedra da agonia em que fui acorrentado. Que eu possa para sempre respirar esperança.
Até logo, Tim.
Carta de: "Apenas Um Satélite".
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